Da Praia do Areal ao Parque Dilú Mello
Pedro Mendengo Filho
Praia do Areal – nome que até antes da chegada dos Jesuítas em 1684, por estas bandas, não se tem registro como os índios que habitavam esse esporão de terra onde é hoje à Praça da Matriz chamavam esse pequeno espraiado visto do alto. Sabe-se que no cimo deste esporão ficava a aldeia maior comandada pelo chefe geral chamado Cacique Timbaú, que de lá controlava e comandava tudo e todos. Pela natureza indígena, os rituais de nascimento e fúnebres eram realizados na parte peninsular e os de sacrifícios, oferendas e adorações aconteciam nesse local onde até os dias de hoje encontra-se vestígios de conchais e presença de ossadas humanas nas encostas desse esporão. Com cer-teza, em outros tempos esse local fora o principal posto controlador de entrada e saída de nativos; livres e aprisionados nas guerras tribais.
Com a conquista pelos Jesuítas da península principal que era habitada pelos índios Tenetehara, para instalação da sede da Aldeia Maracu, começam as transformações físicas e paisagísticas deste espraiado o qual forma no verão uma faixa extensa de areias banhadas pelas águas do lago. Formação esta, resultante do acúmulo de material estratificado arrastado pelas chuvas e também pela impulsão das marés altas procedentes do Golfão Maranhense.
Depois de consumada a conquista desejada os missionários edificaram uma Igreja em uma praça também, de forma retangular sob a vocação de Nossa Senhora Imaculada da Conceição e, em derredor, construíram vários alojamentos para abrigarem os índios que aldeavam e os de Doutrina, como eram chamados os índios já catequizados (índios do Paço do Lumiar e do Itaqui), que lhes acompanhavam em missões pelas matas e também arrebatavam outros irmãos silvícolas para o rebanho da fé. Nesse aldeamento os Jesuítas formaram as ações administrativas de suas fazendas e engenhos, traçaram estratégias no recrutamento e controle da região e a base econômica para o sustento da missão, do Colégio Nossa Senhora da Luz do Maranhão e outras instituições pertencentes à Companhia de Jesus, até quando perderam os direitos temporais de aldeamentos dos silvícolas, por determinação de Sebastião José de Carvalho e Melo o Marquês de Pombal, primeiro-ministro de Portugal de 1750 a 1777, em função de radicais diferenças de objetivos.
Com o passar dos anos a Praia do Areal foi se configurando como um lugar apro-priado para uma atividade econômica de grande necessidade na produção pesqueira: a salga e secagem de pescados. Era o local preferido dos pescadores, que no verão mudavam-se com toda a família para as margens do lago, pois, com a produção pescada em alta pela condição oferecida do lago, o trabalho de preparo e manejo da produção recolhida exigia mãos habilidosas para o trato do pescado ainda em estado natural; fresco. Então a salga e secagem de peixes em Viana tornaram-se uma atividade de exportação.
Como a flora é uma moldura viva do Lago Viana, a Praia do Areal possuía uma vegetação densa que servia de habitat para várias espécies de aves que enriqueciam o seu cenário. O pesquisador Ozimo de Carvalho descreve em sua obra-prima “Retrato de um Município” (1957), o que conseguiu catalogar sobre a vegetação campestre e a fauna paludícola, que abundavam em volta desse pequeno espraiado e outras partes que margeiam o grande lago Viana:
“À beira do mato, em terrenos que no inverno a água cobre até mais de dois metros de altura, forma-se a mata higrófila da área dos campos, a “mata de várzea”, em que predominam as seguintes árvores: o Criviri (Mouriria Weddellii Naud.) alto, frondoso de tronco e ramos tortuosos; o Arapari (Macrolobium acaciaefolium Benth.) também copudo e grande; a abundante Arariba (Symmeria paniculata Benth.), que forma grandes moitas e fornece boa lenha; a Ingarana ou Ingá-do-campo (Pithecolobium glomerulatum Benth.); o Marajá (Bactris maraja Mart.), pequena e elegante palmeira muito espinhosa, de estipe cilíndrico e fino, muito usado em estacas de cercas de pau a pique e na ornamentação dos locais das festas de arraial. (O marajá é umbrofilo, teme o sol forte e vive à sombra das companheiras do habitat, de ordinário em cerradas formações homoelitas; frutifica dentro d’água em cachos no fim do inverno e o fruto drupáceo, negro e redondo tem mesocarpo adocicado muito apreciado pelos porcos.)”
“A espinhosíssima Titara (Desmonchus polyacanthus Mart.), palmeira prostrada e escandente, semelhando imensa cobra verde a querer galgar o topo do arvoredo, de folhas terminadas em sarmentos com espinhos recurvos em ganchos, frutificando em cachos escarantes; a Geniparana (Gustavia augusta L.), de cheiro desagradável e grande flor branca; o feio Trapiá (Crataerva tapia L.), de folhas cáusticas; a vulgar Imbauba (Cecropia sp.) com longas raízes excretas e cilíndricas, donde mana abundante seiva muito usada na medicina popular (A Farmacopeia Brasileira registra não a seiva, mas os brotos da imbauba); a Gargauba (Cordia tetandra Aubl.), que finge de amendoeira (Terminalia catappa L.), com seus verticilos de ramos horizontais caule vertical”.
“O útil e belo Genipapo (Genipa americana L.); a Popoca (Coccoloba ovata Benth.), ótima madeira para palitos; a fruta-de-rato ou Tuturubá-do-campo (Lucuma sp.); a pequena e leitosa Jonaubunha (Tabernaemontana rubro-striolata Mart.); o Bacuri-pari (Rheedia floribunda Miq.); mediano e elegante; o Lacre-do-campo (Combretum lanceola-tum Pohl); o Cambucá (Marlieria edulis Ndz.), azedo e de boa madeira para estacas; a Canabrava (Gynerium sagittatum Beauv.), graminácea de grande porte com sua vistosa e bela inflorescência em bandeira, meneando-se à mercê do vento e cujo pedicelo é a útil flecha, de vários usos, tendo também o colmo suas aplicações caseiras; o Mata-pasto (Cassia reticulata Willd.), pequena e de vida curta, mas extremamente prolífica; começa florescer em maio com belos cachos cor de ouro, cujas pétalas dessecadas o povo utiliza como purgativo e colagogo, embora acusando-as de produzirem hidropisia, depois de longo uso. (No inverno lança da parte submersa do tronco, bastos fascículos de raízes adventícias, que no verão pendem secos como negras borlas de cauda de boi); a frondosa rosácea Itaquipé-do-campo (Licania sp.), cuja cinza fortifica o barro das louças; o Cachimbeiro (Cassia bicapsularis L.) que fornece o taquarí dos cachimbos”.
“No verão, grandes bandos de grandes e pequenas garças brancas e morenas (es-tas em muito menor número), pela manhã se concentram nas baixas e, sobretudo nas partes mais rasas dos lagos e aí passam o dia pescando de pé, com o bico, os peixes de que se alimentam até o escurecer, quando regressam em grandes grupos, aos moitais próximo, onde habitualmente pernoitam. No inverno emigram para outras paragens, porque a sua pesca, um tanto canhestra e de parco rendimento, só é possível em águas pouco profundas. Os Atins, de que há duas espécies, mais ativos e laboriosos que eles, passam o dia voando contra o vento sobre águas rasas. Ao avistarem um peixe pequeno próximo da superfície, caem sobre ele de improviso, fisgam-no com o bico e, subindo rapidamente, o soltam no ar, para logo o apararem em posição favorável à deglutição”.
“Os Taquaris, os Bijejús, os Maguarís, as Colhereiras, os Jaburús, os Carões, So-cós e outras grandes pernaltas e paludícolas, já são raros e pouco freqüentam os nossos pântanos e lagos, por temor dos caçadores. Atualmente são as jaçanãs e japiaçocas que estão ameaçadas de extinção”.
“São ainda comuns nas praias dos lagos da região as pequeninas e graciosas Baleínhas (chamadas algures Batuíras) “que parecem rodar sobre carretilhas, tão ligeiro elas trocam as pernas; de repente estancam em meio da carreira, para examinarem al-gum inseto ou qualquer migalha e logo continuam a rodar”. Paludícolas ou limícolas são ainda os Maçaricos, os Cocozinhos ou Sacarregas, os Sargentos, as Japiaçocas (que põem os seus quatro ovos nas folhas planas da guapéuas, em pleno sol) e as Jaçanãs (que põem sempre seis ovos nas moitas de capim flutuante), estas últimas muito caçadas pelo sabor de sua carne sempre gorda. As japiaçocas substituem o pinto nos regimes dietéticos e são caçadas por meio de uma garrafa vazia amarrada pelo gargalo à ponta de um cordel, que o caçador escondido na tocaia de folhas, vai puxando devagar. As aves, alarmadas com o lento rastejar desse estranho objeto, aproximam-se curiosas de vê-los mais de perto e então recebem uma carga de chumbo que as dizima”.
“O vigilante e impertinente Tetéu, sempre pronto a dar sinal de alarme, vivem nos campos e nidifica no chão; para defender a prole, atreve-se a atacar o próprio homem”.
A vocação da Baixada Maranhense para produção pesqueira é natural por se tratar de uma região lacustre. Pois, logo haveria uma necessidade dessa produção ser conservada para distribuição no mercado consumidor. A história do Maracu indica que o processo de conservação de carne bovina, peixes e aves campestres iniciaram-se com a introdução do sal grosso pelos irmãos jesuítas: Baltazar Ribeiro e Geraldo Ribeiro, que trouxeram consigo, quando mudaram para os nosso campos o gado vacum e cavalar para criação na Fazenda São Bonifácio. Como o objetivo das fazendas era de sustentar as instituições dependentes da missão, as fazendas faziam abates de animais e conservação da carne e mantinham também a salga de peixes e aves domésticas, prática que os jesuítas dominavam há muito tempo, para abastecer as suas instituições.
E por falar em sal, o escritor Mark Kurlansky, descreve em Sal uma História do Mundo (2004) que: “A história do sal no mundo se confunde em muitas ocasiões com a história do mundo. Por sua propriedade de conservação e preservação, o sal se transfor-mou em símbolo metafórico de todas as religiões e definiu a evolução dos alimentos como queijo, presunto, azeitona etc. Nenhum outro produto o substitui e, sem ele, desapareceriam à carne-seca, o charque o bacalhau e outros pescados”.
Na Baixada Maranhense os criadores não dão sal ao gado, porque não é necessário - o nosso terreno o tem em abundância - não cavam tanques, nem levantam açudes, porque “Deus é grande” e “talvez chova no verão”. Sendo assim, o sal chega ao organismo bovino em estado líquido. Isto por que, são durante as madrugadas de verão que este fenômeno acontece. Se observarmos de manhã bem cedo, veremos que os animais herbívoros excepcionalmente os bovinos estão lambendo as folhas das araribeiras. É o salgema que durante à noite quando a água salgada do Golfão Maranhense evapora formando nuvens, estas se precipitam sobre nossas vegetações, em forma de orvalhos.
Elucidam os estudos científicos de Ozimo de Carvalho (obra citada) que: “A salga da tarira ou traíra é uma modalidade de pesca que assume proporções de uma pequena indústria na região. Quanto maior o inverno, tanto mais abundante se cria este prestimoso peixe, que se presta a prolongada conservação, quando salgado e seco ao sol. Descoberto o campo da orla dos lagos, o pescador ergue aí o seu rancho, verdadeiro tijupá de pindoba e dá inicio desde logo à atividade da salga. Alta madrugada sai com o companheiro, de canoa, a tarrafiar, até às primeiras horas de sol e volta para ter tempo de preparar todo o peixe apanhado e de aproveitar o sol da segunda metade do dia. Primeiro tira a cabeça da tarira, depois abre pelo dorso, retira-lhe as vísceras, golpeia-lhes as carnes ao comprido, salga-se e põe-na ao sol com o carnal para cima, em jiraus forrados de pindoba brava. Um dia ou dia e meio de seca, e está pronta para a venda”.
Até a metade do século XIX, o lago de Viana era soberbo de sua produção pes-queira, orgulho de um povo que sempre gostou de peixe. Depois de longos anos de boas colheitas dos frutos nos rios, igarapés, lagos e campos, os consumidores desconfiaram que a fauna ictiológica começava a mostrar uma queda na sua produção. Era o princípio do esgotamento das fontes reprodutoras, o que não foi percebido por muitos pescadores e outros exploradores, principalmente agricultores, pecuaristas e caçadores, que se utilizavam dessa atividade como fonte econômica. Acontece que o espaço geográfico expandia-se muito rápido e o consumo cada vez maior de peixes na dieta dessa população, não era mais suficiente para atender essa demanda. Esses homens sem acreditar nessa perda irreparável não se preocuparam em preservar e respeitar essas matrizes. Um dia o inesperado se fez presente e o resultado foi um processo avançado do esgotamento das espécies. Sem alternativas e sem apoio do poder público, os pescadores deslocaram as atenções e atividades para outro lago; o Lago Açu, trocando a salga e secagem pela pesca em barco-geleira.
Os anos 50 foram decisivos para os católicos de Viana. A Igreja Católica Apóstólica Romana criou na cidade algumas capelas em pontos diferentes da cidade como a de Nossa Senhora de Fátima no Caminho Grande, Sã Judas Tadeu no Moquiço e de Nossa Senhora Aparecida na Praia do Areal. Estas festas obedeciam a um calendário de noites enluaradas, ou seja, precisamente em todas as noites de lua cheia do outono, primavera e verão. Neste local a festa acontecia todos os anos no mês de outubro com novena, missa campal, procissão e, contrastando com a beleza da “praia”, a salga e secagem de peixes era uma atração a mais. Destas capelas construídas nesses idos anos somente a de Fátima ao ser reformada, passou a ser chamada Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no mesmo bairro, enquanto as outras foram destituídas das suas funções pela própria Igreja Católica Romana e demolidas. Na Praia do Areal tínhamos também os passeios a pés ou de cavalo em noite de lua cheia. Era um convite imperdível, pisar livre na relva molhada dos campos verdejantes era uma levitação, pois no final desse lazer sempre acontecia uma apetitosa comilança de melancias trazidas de Arari, muito bem vendidas em Viana e principalmente no Areal.
Em Viana, apelidos e ditos populares sempre se confirmaram. Quando dizem que “Viana é a terra do já teve” não é à toa. Esse chavão é a mais pura verdade.
Quem viu de perto esta verdade se transformar ao pé da letra foi o escritor Nezinho Soares ao descrever estes fatos e outros em um manuscrito com o título de “Olhando Viana”.
“A maior festa popular de Viana até os idos de 1960 foi a “festa folclore religiosa” de Nossa Senhora de Nazareth, de tradições populares não só dos vianenses, mas de uma população que forma a vasta região da Baixada Maranhense. Uma festa realizada na pequenina ermida construída em 1886 com exclusiva ajuda dos devotos. Era uma festa genuinamente popular, nela comparecendo milhares de romeiros”.
“Com a criação da Diocese de Viana, a festa de Nazareth foi expurgada do calendário religioso da Igreja e, consequentemente demolida a igrejinha por ordem da autoridade eclesiástica (verdadeiro crime) contra o patrimônio histórico da terra de Antonio Lopes, cujo intelectual mantinha o apego ao sistema tradicional da sua terra natal”.
“Nós que acompanhamos por muitos anos a festa de Nazareth em Viana, sabe-mos perfeitamente das causas e das conseqüências negativas da extinção da referida festa, principalmente econômicas, pois canalizava dinheiro de outros municípios para Viana. Com o término daquela festa, resolvi lançar outra semelhante àquela destruída, nascendo a Festa do Peixe - criação, organização e estrutura exclusiva nossa”.
“A festa ano a ano continua em igualdade com a festa de Nazareth, com maior afluência de pessoas vindas de todos os recantos do nosso e de outros Estados. Tem sido uma corrente abundante de dinheiro no comércio e na vida privada da cidade, convergindo de outros municípios e de outros rincões do nosso país, grande número de comerciantes ambulantes, parque de diversão com suas distrações permanentes, enfeitam o recinto da Festa do Peixe. Outras atrações folclóricas como Bumba-Meu-Boi, Tambor de Crioula, Baile de São Gonçalo, Dança do Maracu e Tambor de Mina, completam a formosura da nossa criatividade”.
Mas foi muito pouco tempo de organização particular dessa nova modalidade de festa. Como um toque de mágica a administração pública incorporou esse evento como sendo uma atividade cultural municipal e hoje faz parte do calendário das festas anuais que a Prefeitura de Viana passou a gerenciar. E com isso introduziu um modismo sertanejo na cultural popular de Viana, - a vaquejada.
Manifestação diferente daquela que em nossas fazendas de gado é conhecida como “ferra de gado”, sem pretensões sertanejas e sim, uma reunião das familiares de fazendeiros e vaqueiros que acontece anualmente para efetua o registro do plantel de gado de uma fazenda. É um dia festivo em que todos os presentes testemunham a produtividade de seus gados reprodutores. Este novo plantel consiste de um quantitativo de novilhos e novilhas, a serem ferrados e registrados, bem como a premiação de bezerros e bezerras ao seu vaqueiro, conforme o acordo de ambas as partes. Em se tratando de vaquejada esta manifestação festiva não se institucionaliza como movimento da cultura de Viana, este tipo de manifestação só é programado nas exposições, feiras livres e leilões de gados no grande sertão, na parte central e na região sul do país, cabendo destaque a cidade de Barretos, no interior de São Paulo.
O Governo local apropriado desta festa dá inicio em 1994 no aterro da Praia do Areal. Foi uma iniciativa bem recebida pela população que precisava de um espaço de lazer. Mesmo com a obra em andamento o “Governante” dentro da sua vontade reali-zou a festa. Daí em diante nenhuma outra administração que lhe sucedeu quis concluir essa obra. A partir daquela data, a degradação ambiental nesse local se processou em progressão geométrica. Foi desastroso para o Areal, que vê em menos de dois anos toda a sua vegetação endêmica desaparecer, sufocada pelo esgotamento sanitário clandestino. Foi pior do que o roubo de terras baixas, que no inverno alagam para o dinamismo das águas despejadas no lago. Foi mais estúpido do que a derrubada de sua mata ciliar, que tem função de filtro e equilíbrio térmico das águas do lago; para dá lugar ao novo.
A construção desse aterro sem o mínimo de regras básicas de saúde pública, não foi um problema aparentemente prejudicial à saúde pública ao que tudo indica -, até o presente momento. Mas o uso do local como espaço de atividades culturais foi uma grande fatalidade. A falha maior é ter aberto esse espaço ao público sem atender e respeitar as exigências de saúde pública. É expor essa população que sempre esteve vulnerável aos riscos do impaludismo - a famosa febre-amarela, da soltura de ventre, da cólera, do tifo, da dengue, da conjuntivite (dordolho) e outras doenças transmitidas pela falta de higiene pública.
O que tudo indica, a construção do esgoto sanitário do Parque do Areal vai continuar sendo motivo de disputa político-partidária, que resulta em descaso com os interesses da sociedade. O esgoto sanitário para muitos governantes não dá voto. É uma mera obra que nasce sepultada, enterrada, longe dos olhos do eleitor que até hoje vive de obras palpáveis, aquelas que podem ser tocadas, aquelas que estão ao alcance dos olhos - tidas como melhorias, resultados concretos de uma administração.
Infelizmente, a cidade de Viana tem uma população pobre de organização em todos os setores da vida comunitária, boa parte carente de informações básicas e conseqüentemente omissa em relação aos seus direitos. Essa omissão permite que todos sem exceção, ignorem os seus deveres e com isso, eles não interagem nos planos de ações das administrações, não mostram as suas necessidades locais e não reivindicam nada coletivamente. Mais em compensação, são mestres na arte de pedir. Como eles pedem!... Pedem atenção particular para suas questões em qualquer lugar, falando baixinho ao pé do ouvido do sujeito-político em forma de cochichos, sem pedir licença a outros indivíduos presentes no recinto, a qualquer hora do dia ou da noite. Isto sem falar do famo-so pedido triangular de praxe: Pede ao Influente Político, que pede ao Vereador que vai pedir ao Prefeito.
Já no final do século XX, entre muitos dos sonhos de uma pequena parcela dos filhos de Viana, um desses sonhos que outrora fora desejo, se transformara mais tarde em uma razão de ser. Graças à ação louvável do jornalista Luiz Alexandre Brenha Raposo, na luta para fazer valer o nome de vianenses ilustres, que se projetaram no país e no exterior, conseguiu depois de várias conversas e articulações com as autoridades de Viana, a alteração do nome do Parque do Areal para homenagear uma vianense de destaque no cenário artístico nacional e internacional, sonho que se realizou com sucesso na última Gestão Administrativa Municipal do século que passou a homenagem feita à compositora, instrumentista e cantora Maria de Lourdes Argollo Oliver, que voltou a sua terra natal e inaugurou uma placa no local que leva o seu nome artístico. “Parque Dilú Mello”, local este que tem tudo para projetar a cidade de Viana no cenário da política ambiental do turismo ecológico da Baixada Maranhense.
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