SÍTIO VIANA

São Bonifácio

05/DE JULHO

SÃO BONIFÁCIO - Bispo e mártir (673-755)

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São Bonifácio é chamado o Apóstolo da Alemanha. Nasceu em Wessex, no Kirton, na Inglaterra, por volta do ano 673. Seu nome de batismo era Winfrid. Aos cinco anos ingressou no mosteiro beneditino de Exeter. Reunia em si a doçura e a firmeza, a timidez e a coragem, a inquietude e a paciência, o idealismo e o realismo. Fez-se monge no mesmo mosteiro de Exeter. Aos 20 anos, já era mestre de ensino religioso e profano. A sua atividade missionária foi intensa. Em 719, o papa Gregório II lhe confiar uma missão entre as populações germânicas e ele partiu para a Alemanha a fim de pregar o Evangelho. Alcançou pleno êxito em sua missão apostólica, sendo então nomeado bispo de Mainz. Restaurou e organizou a Igreja na Alemanha. É o fundador da célebre abadia de Fulda, centro da espiritualidade e cultura religiosa alemã.

Mais tarde, já ordenado sacerdote em Winchester, seguindo o exemplo dos monges ingleses e irlandeses, dirigiu-se ao continente impelido pelo desejo de levar o Evangelho às populações pagãs da Europa Central. As circunstâncias não lhe foram favoráveis. Dois anos depois voltou, desta vez munida da aprovação e do mandato do papa, que lhe entregou uma carta de recomendação endereçada ao poderoso Carlos Martel, rei dos francos.

Bonifácio trabalhou por um par de anos ao lado de Vilibrordo, outro célebre missionário, visitando a Baviera, a Turíngia e a Frísia, batizando milhares de pagãos. O papa Gregório II apreciou a obra do dinâmico missionário e convocou a Roma, nomeando-o em 722 bispo de toda a Germânia transrenana. De 724 a 731, Bonifácio dedicou-se à evangelização da Saxônia, cujas populações eram inteiramente pagãs. Nessa difusão foi coadjuvado por missionários ingleses e irlandeses que ele deixava depois para continuar a obra nas várias missões.

Sob seu comando os sacerdotes adaptavam-se a fazer de tudo um pouco: professores, carpinteiros, enfermeiros etc. Alguns foram postos à frente de mosteiros fundados pelo santo bispo, agora arcebispo de Mogúncia, depois que o novo papa Gregório III lhe enviou de Roma o pálio com autoridade de ordenar outros bispos nos territórios evangelizados.

Em 753 elegeu seu fiel discípulo Lul para coadjutor na sede de Mogúncia, e para a última missão na Frísia. Desceu com algumas embarcações ao longo do Reno e se dirigiu a Dokkum, onde se haviam reunido numerosos neófitos para crisma no dia de Pentecostes. Durante a celebração de 5 de junho, uma turba de frisões, armados de espadas, irrompeu no acampamento. Bonifácio tomou como escudo o evangeliário, mas um golpe de espada talhou em dois o livro e fendeu a cabaça do infatigável ancião. O bispo Lul transportou seu corpo para o mosteiro fundado pelo santo em Fulda, centro propulsor da espiritualidade e da cultura religiosa da Germânia.

Suas palavras

...Estejamos na justiça, preparem-nos para a tentação, para merecer ajuda de Deus e digamo-lhe: “Senhor, és nosso refúgio para sempre”. Confiemos naquela que nos colocou o peso sobro os ombros. Aquilo que não possamos carregar por nós mesmos, carregamos por meio daquele que é onipotente e que nos diz: “O meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mt 11,30).

Estejamos na batalha no dia do Senhor, pois chegou para nós o tempo da angustia e da tribulação. Morramos, se Deus o quiser, pelas santas leis de nossos pais, para poder merecer com eles a herança eterna. Não sejamos cães mudos, não sejamos observadores silenciosos, não sejamos mercenários que fogem diante do lobo, mas pastores solícitos, vigilantes sobre o rebanho de Cristo, mensageiros do pensamento de Deus aos grandes e aos pequenos, aos ricos e aos pobres, a todas as condições sociais, a todas as idades, com toda a força que Deus nos dará (Bonifácio de Mogúncia, “Epist. Adcutheb”, in JPadri vivi, cit)

Se tivéssemos amor, junto com a compaixão e a pena, deixaríamos de olhar os defeitos do próximo, como está dito: “O amor cobre uma multidão de pecados” (IPd 4,8), e ainda; “A caridade nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor” (1Cor 13,5) – com aquilo que segue. Também nós, portanto, como disse, se tivéssemos amor, o mesmo amor repararia toda queda, como os santos quando vêem os defeitos dos homens. Será que os santos são cegos e não vêem os pecados? Quem odeia tanto o pecado quanto os santos? E, todavia, não odeiam o pecador, não o condenam não se afastam dele, mas têm compaixão por ele, admoestam-nos, consolam-no, curam-no como um membro enfermo: fazem tudo (São Doroteu de Gaza, “Instit. VI”, in JPadre vivi, cit.).

Como a oração tornamo-nos propícios ao Senhor; o jejum extingue o ardor da concupiscência; as esmolas redimem nossos pecados. A imagem de Deus é restaurada em nós quando estamos constantemente dispostos ao seu louvor, quando purificamos a nossa alma, quando estamos continuadamente atentos a socorrer do próximo. Esta tríplice observância implica o exercício de todas as outras virtudes. Ela conduz a imitação e à semelhança de Deus (São Leão Magno, Sermo 12,4).

PRECE DE SÃO BONIFÁCIO

Da fidelidade à vida

Deus, nosso Pai, valei por todos aqueles que têm a missão de guiar o vosso povo santo e pecador, através das contradições de nosso tempo.

Iluminai a mente e os corações dos nossos pastores: papa, bispo, sacerdotes, religiosos, evangelizadores leigos, consagrados, todos os batizados indistintamente chamados a dar testemunhos do Evangelho no meio em que vivem.

E que sirvam para nossa edificação as palavras de São Bonifácio: Não sejamos cães mudos, não sejamos sentinelas silenciosas, não sejamos mercenários que fogem do lobo, senão pastores solícitos que vigiam sobre o rebanho de Cristo, anunciando o desígnio de Deus aos grandes e pequenos, aos rios e aos pobres, aos homens de toda condição e toda idade, na medida em que deus nos dê forças, a tempo e a destempo, tal como o escreveu São Gregório no seu livro aos pastores da Igreja.

Serafim Leite fala na fazenda-engenho São Bonifácio, defronte e à vista da aldeia de Maracu, que era uma das mais importantes do Colégio do Maranhão. Em sua igreja, entre outras, havia imagem daquele Santo que era patrono da missão. Será que é aquela que se encontra em Penalva? Sim. É a própria que se encontra na citada cidade. Em relação às imagens de São Bonifácio e Santo Alexandre, que foram doados pelo Papa Urbano VIII, Arnaldo Ferreira diz:

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“Sobre o assunto, esclarecemos que, embora trazidas de Roma para Lisboa pelo Padre Manuel de Lima, as ossadas dos dois mártires vieram para o Maranhão com o Padre Sottomaior. Aqui segundo José Morais (p. 270), foram trasladadas de bordo para terra “com a maior pompa e aparatoso triunfo”, aos 2 de dezembro, em procissão solene, ficando expostas no altar-mor da Igreja do jesuítas de ambos os lados do sacrário.No dia seguinte houve missa e sermão pregado pelo Padre Sottomaior, fato a que também se refere Padre Antônio Vieira em sua Carta, de 22 de maio de 1653”.

 

Pedro Mendengo Filho

  1. Ref. Bibliográficas: PALACIN, Luís. “Santos do Atual Calendário Litúrgico”. Editora Loyola, p. 78, 1982.

  2. FERREIRA, Arnaldo. “Jesuítas do Maranhão e Grão Pará”, (apontamentos) – São Luís, 1955, p. 52-53).

  3. No Maranhão o papel dos dois santos foi de patrono das missões jesuíticas: São Bonifácio foi para a capela da Companhia de Jesus, no engenho que teve o seu nome na Aldeia Maracu em Viana, e Santo Alexandre foi para o Seminário da Missão no Pará.

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