SÍTIO VIANA

Catedral da Diocese de Viana

A instalação da diocese de Viana pela “Bula Christi Fidelium” - 1963

Historicamente desde o dia em que o povo de Viana, soube da eleição do seu 1o Bispo, Dom Hamleto d’Angelis, começaram as vibrações festivas em toda a cidade e em todas as classes. E a cidade começou a se revestir de uma roupagem de festa. As comissões se organizaram em Viana, a colônia vianense de São Luís se movimentou para o grande dia (04 de agosto de 1963).

Passaram-se os dias, até que pela tarde do dia 03 de agosto de 1963, véspera da posse, os sinos da velha matriz de Nossa Senhora da Conceição, repicaram festivos e os tradicionais foguetões anunciaram a chegada da Lancha Iara, trazendo grande parte da colônia vianenses e visitantes que foram recebidos pelo povo e pelas comissões de recepção e hospedagem.

Viana tomou aspecto de uma grande vigília.

A noite prateada pelo luar vianense faz com que todo o povo passasse acordado, enfeitando de bandeirinhas e festões as ruas da noiva de um bispado. Pela madrugada aquela multidão sem conta de flâmulas nas mãos se encaminhava para a grande praça da matriz onde se realizaria a posse de Dom Hamleto d’Angelis. Ali se encontravam todas as classes, vivendo a mesma emocionante alegria do momento. Foi quando pelas sete horas e trinta minutos do dia quatro de agosto, de repente, rasgando a imensidão do mais azul céu do mundo, avistou-se o (teco-teco) pequeno avião de transporte de passageiros da empresa de Táxi Aéreo Aliança, que trouxera o primeiro Bispo de Viana, Dom Hamleto d’Angelis.

No aeroporto a Banda Vianense executou os hinos maranhense e vianense, enquanto em todos os pontos da cidade, reboaram salvas de foguetões dando as boas vindas ao eminente antístite.

Os sinos repicaram festivamente em todas as igrejas da cidade do lago. Era a realização de um sonho de vinte anos. Iniciou-se o cortejo rumo à praça da matriz, que naquele dia transformava-se em Catedral da Diocese. Três cavaleiros, alunos do Ginásio Antonio Lopes, portando as bandeiras do Papa, Maranhão e Viana, eram seguidos por um grupo de motocicletas e bicicletas festivamente ornamentadas. Logo depois, cerca de vinte cavaleiros representavam os vários povoados e vilas do município e por último, em jeep aberto, V.Ex.ª Rev.mª recebia as manifestações do povo que ficara pelas calçadas até à grande praça. V.Ex.ª Rev.mª Dom Hamleto d’Angelis se fez acompanhar do Reverendíssimo Pe. Ermano d’Angelis - Provincial da Congregação dos Missionários do Sagrado Coração, Mons. Eider Furtado da Silva, Pároco de Viana, do Sr. Prefeito Municipal Dr. José Pereira Gomes; Dr. João Batista Lemos, Juiz de Direito da Comarca; Dr. José Dutra, Promotor Público. A entrada da praça, a banda vianense, executou o Hino Vianense, enquanto o povo acenava as flâmulas com o retrato de Dom Hamleto. V. Ex.ª Rev.mª foi saudado pelo Prefeito Municipal, de quem recebeu a chave simbólica da cidade, sob uma grande chuva de pétalas de rosas e triângulos de pratas.

Ouvia-se em seguida o vibrante discurso do Reverendo Monsenhor Eider da Silva Furtado, V. Ex.ª Rev.mª Dom Hamleto d’Angelis, paramentou-se na sala magna da Escola Paroquial, e em seguida atravessou solenemente de mitra e báculo a praça rumo ao grande palanque armado em frente à nova Catedral. Enquanto V. Ex.ª Rev.mª fazia este percurso abençoando, pela primeira vez o seu rebanho, todo o seu povo cantava o salmo 22 “Tu és o meu Pastor”.

Sob o delírio da multidão, tomou assento no trono no alto do palanque e sob o sol quente que a Viana ilumina símbolo do ardor e da inteligência e do coração desta gente, realizaram-se as leituras das Bulas de fundação da Diocese e eleição do primeiro Bispo. Neste momento, Dom José de Medeiros Delgado, solenemente declarou instalada a Diocese de Viana e, em seguida, empossado o seu primeiro Bispo Dom Hamleto d’Angelis. Momento solene que coroou os esforços de Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, do saudoso e jamais esquecido Mons. Arouche, pedra fundamental da criação da Diocese de Viana.

No momento que V. Ex.ª Rev.mª Dom Hamleto d’Angelis, assinava o Termo de Posse, foi novamente ovacionado pela multidão, ouvindo-se o repicar majestoso do saudoso sino, hoje transformados em sinetas.

Assentou-se após a posse na catedral e recebeu os cumprimentos do clero da nova Diocese como também das autoridades e de todos os representantes dos municípios da baixada ocidental maranhense. Estivemos presente como representante do município de Pinheiro nas solenidades.

Após esta cerimônia, o Senhor Bispo celebrou a primeira missa em sua Diocese, acolitado pelos Reverendíssimos: Padres Sidnei Castelo Branco Furtado, Francisco Chagas Vasconcelos, este último, pároco de Pindaré Mirim. Serviu como cerimonial o Reverendíssimo Padre Luís Risso, pároco da Prelazia de Pinheiro. Tomaram lugar ao lado do altar-mor V. Ex.ª Rev.mª Dom José Medeiros Delgado, Dom Antônio Bezerra do Bonfim, diretor da Faculdade de Filosofia de São Luís; os Reverendíssimos: Padre Luís Zecchinato, Vigário de Pinheiro, Padre Wilson Nunes Cordeiro, Pároco de Penalva e Monção; Padre Antônio Carlos Pereira, Vigário de São Vicente Férrer e São Bento. Grande multidão em termo da Mesa do Pai, participou do Banquete Eucarístico pela santa comunhão.

Após o sacrifício da Santa Missa, foi cantado “TE DEUM”.

Terminada as cerimônias litúrgicas, houve no pátio interno do Palácio Episcopal, um almoço oferecido às autoridades e aos visitantes.

Um dos pontos altos das comemorações, foi a belíssima e original exposição de produtos e trabalhos do município de Viana, idealizada e organizada pela Profa Maria de Jesus Piedade Rodrigues, auxiliada pôr Da Enedina Brenha Raposo e pela senhorita Margarida Nogueira, onde tivemos oportunidade de ver de perto os talentos dos homens e das mulheres da terra dos lagos.

A noite, em palanque armado em frente à Catedral, realizou-se um belo e artístico programa de arte, preparado artisticamente pela senhorita Margarida Nogueira, coube à apresentação do festival ao Reverendíssimo Pe. Wilson Nunes Cordeiro, que relembrou os nomes do cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, Dom José Medeiros Delgado, Mons. Manoel Arouche, além de outros baluartes da nova Diocese. Ouviram-se naquela ocasião o Hino Vianense, cantado pôr um grupo de alunos do Ginásio Antônio Lopes, e outros tantos números de arte apresentados pela mocidade vianense. O Reverendíssimo Padre Heitor Piedade Júnior apresentou, nesta ocasião a palavra de agradecimento e de despedida em nome de Viana a V. Ex.ª Rev.mª Dom José Medeiros Delgado, por motivo de sua transferência para a Arquidiocese de Fortaleza.

Também foi apresentado um belo trabalho “História da Diocese de Viana”, pelo próprio autor Sr. Raimundo Nonato Mendonça.

A Banda de Música executou sob a batuta do maestro Benedito Nunes, vários peças musicais como “Luciae de Della Memon”, “Osculo de Mãe”, “Enfim Vencemos”, “Minha Esperança” e a Sinfonie Overture. Nota que veio confirmar as tradições da cidade da música.

Após a soltura do tradicional “balão” característica das festas populares de Viana, tocado pelo saudoso mestre Francisco Travassos, ao som de um dobrado e repique de sinos foi dramatizado por doze pescadores com suas próprias canoas e redes de pescar, a “camboa” pescaria característica do lago de Viana, servindo de lago a grama verde do largo da velha Matriz, sob a noite enluarada dos céus da terra de Antônio Lopes.

Durante a dramatização o Padre Chagas Vasconcelos deu o sentido da dramatização - símbolo da vida rude e arriscada do pescador vianense.

Viana, naquele belíssimo dia 04 de agosto do ano de 1963 recebeu o seu primeiro Bispo. Não foi uma festa, e sim uma “apoteose” orientada e programada pelo dileto sacerdote filho de Viana; Padre Heitor Piedade.

Desenvolvido por A. Martins - 2008
alteclinio@gmail.com